Continuando no assunto do post anterior…. Muitas pessoas me perguntaram o que eu consegui comprar com certeza de que é daqui da região.
Muitas coisas são razoavelmente simples de ter certeza, principalmente itens menos industrializados. O problema mesmo são os produtos processados. Comprei um iogurte da Nestlé, feito na fábrica de Araras. Legal? Pode ser, mas no iogurte não vem escrito de onde vem o leite e os outros ingredientes utilizados na sua fabricação.
Precisava também de óleo de Canola. Fui ver as opções. Ou eu comprava o da Bunge ou o da Cargill. Fiquei com o que é produzido pela Siol na fábrica aqui da grande São Paulo. Novamente, além de não saber de onde vem os grãos utilizados, não há informações claras sobre o uso ou não de OGMs e o pior de tudo, a grande parte das opções são de indústrias gigantescas, que além de refinarem o óleo, produzem as sementes e os agrotóxicos e aditivos químicos utilizados na plantação. Ou seja, toda vez que a gente compra esses produtos estamos alimentando essa rede agroindustrial que cada dia mais destrói nossa biodiversidade e a qualidade de vida do homem do campo.
Uma das propostas que circulam entre estudiosos e ativistas da área é que toda embalagem de produtos contenha o que chamam de foot print e também as chamadas food miles. Ou seja, que venham descrito claramente de onde vieram todos os produtos, o caminho que percorreram e os impactos causados. Agora, esperar que as empresas façam isso por conta própria, é praticamente impossível. Cabe então à opinião pública exigir do governo leis que obriguem as indústrias e produtores a fazerem isso.
Enquanto isso não acontece, também é da responsabilidade de cada um procurar se informar sobre a procedência daquilo que compram. Preferir aquilo que é fresco, se possível comprando diretamente de quem produz. Seria um sonho ter Farmer’s Markets como os da Europa ou USA. Aqui em SP apenas indo ao interior para encontrar feiras onde os produtores conseguem vender sua produção. Ou então procurar as redes de produtores orgânicos e as feiras que organizam por aqui: http://www.planetaorganico.com.br/qvspfei.htm
Um site legal que eu encontrei hoje foi esse aqui: http://breakingnews.ewg.org/meateatersguide/
Ele é baseado na forma de produção e consumo dos EUA, mas como somos grandes imitadores deles, acredito que é possível transpor boa parte dessa realidade para a nossa nos centros urbanos. No link Eat Smart, há um quadro mostrando qual fonte de proteínas corresponde a uma maior “pegada de carbono”. No link Lifecycle Grafic já é possível entender como cada etapa da criação, produção e distribuição correspondem a essa pegada. Além disso há o documento completo explicando como a pesquisa foi realizada e detalhes maiores sobre cada etapa. Mas gostei mesmo foi do link com as dicas que eles dão, que são totalmente válidas para nós. Não deixem de conferir: http://breakingnews.ewg.org/meateatersguide/helpful-tips-for-meat-eaters/